domingo, 7 de setembro de 2008

Independência ou Sorte!

Eu sempre fui uma mulher independente... Com 16 anos, arrumei o primeiro emprego, muito a contra-gosto do meu pai, que achava que eu só deveria começar a trabalhar quando terminasse ao menos o colegial. E continuar dependendo de mesada?Eu hein...


Comecei numa loja de jóias, depois fui pra uma agência de turismo, e depois pra Hotelaria, e com 18 anos, no primeiro ano da faculdade, o meu salário era de 3 mil reais, isso a quase 10 anos atrás era muito dinheiro... Eu tinha carro, e já era dona do meu nariz, dava satisfações pros meus pais, pq morava na casa deles, viajava pra cima e pra baixo, á trabalho, com o ex namorado, com as amigas... Mas sempre fui moça de família tá?


Aí me casei, e meu marido que sempre foi um cara mente aberta, nunca me proibiu de trabalhar, mesmo sabendo que teria que viajar , e muito! Ele jamais teve um ataquezinho de ciume, ou egoísmo... nada desse tipo, muito pelo contrário, sempre me deu o maior apoio, em tudo o que eu inventei de fazer.


Aí engravidei, e depois que meus pimpolhos nasceram, não era mais bem assim, o que eu, e o que ele queremos, antes de mais nada, sempre pensamos, no que seria melhor pra nós... A família!
Quando os pequenos estavam com 6 meses, recebi uma proposta pra trabalhar num hotel aqui perto, e tudo ia muito bem, até que eu precisei fazer a minha primeira viagem... Minha sogra estava aqui, e eu tinha a babá que cuidava deles... Mas quem disse que eu consegui viajar sem eles? Pedi demissão.


Sou formada em secretariado Executivo, falo espanhol fluente, e fiz 2 anos de inglês, portanto me viro bem! Resolvi que ia procurar alguma coisa como o Secretária mesmo por aqui, procurei no jornal, enviei vários curriculuns, e vieram as entrevistas... Empresas lá do uc do mundo me chamaram, e eu ia, fiz entrevistas (ás vezes) até em inglês, me saía bem... e quando me falavam do salário, me dava vontade de chorar....

Até que me acertei na Gaúcha (Tecelagem) , o salário não era ruim, o horário era bom, e o pessoal de la, muito bacana, Marck me dava o maior apoio, mesmo com o coração partido, em me ver tirar as crianças, com 1 aninho da cama, fizesse o frio que fosse, colocar no carro, deixar na escolinha, e seguir pro trabalho, depois na volta, a mesma coisa... Ele nunca me disse um ai.

Os pobrezinhos viviam doentes, normal, pras crianças que frequentam escolas, e que tem contato direto com muitas outras crianças.... Até que um belo dia a Mariana teve início de pneumonia, e a médica me disse que ela precisava de sérios cuidados, e muita dedicação... Fui pedir demissão, meu ex chefe me disse que não ia me demitir, e sim que iria me dar quantos dias eu precisasse de férias, e que eu voltasse, quando ela estivesse bem... 15 dias mais ou menos depois, eu voltei! E as recaídas da Mari também, levamos pra vários pediatras, e um deles constatou que ela é Asmática, e que até que ela complete mais ou menos 10 anos, na época de troca de estação, entre outono e inverno, e inverno / primavera... as crises seriam comuns.
Não teve jeito, tive que sair da Gaúcha, não achava certo, ganhar pra não trabalhar, enquanto as minhas colegas ganhavam 1 salário , pra trabalhar por 2 pessoas.

Fiquei 2 anos em casa, sem trabalhar, só me dedicando a eles, e quase surtei. Não tenho a menor vocação pra Amélia, e vcs já sabem... Mandei 1 (só 1 ) curriculum, e uma empresa de engenharia me chamou, a vaga era pro RH, essa história vcs já sabem né? Eu trabalhava feito louca, meu chefe achava que só pq o salário era bom, eu tinha que trabalhar feito uma escrava... Eu fiquei lá quase 1 ano, e saí... Saí e decidi que não ia mais trabalhar enquanto não arrumasse emprego em Hotelaria, já que as crianças já estavam maiores, e eu um pouco menos apegada.
E vou dizer, to cansada de ficar em casa... Não, não to reclamando, nem um pouco, sei que aqui em casa eu tenho minhas funções, organizo tudo, cuido da educação dos nossos filhos, cozinho, lavo, passo, e ainda por cima administro nosso dinheiro.
Continuo achando que não vale a pena sair de casa pra trabalhar , se não for por um salário acima de X, graças a Deus meu marido tem um bom emprego, uma carreira promissora, numa empresa excelente que além de um excelente salário, ainda paga faculdade, pós, mestrado e o escambau a quatro, seria muito egoísmo de minha parte querer que ele não aproveitasse tudo isso!

Sei que sou nova, e que a minha hora vai chegar, pretendo fazer faculdade de gastronomia, já decidi, não vou fazer outra coisa, se não for isso...

Mês passado, me chamaram pra trabalhar num hotel novo e lindo que inaugurou por aqui, a mulher que me entrevistou me adorou, tanto que a vaga não era pra área comercial, e sim pra recepção, e ela queria que eu aceitasse o desafio. Tive que dizer NÃO, primeiro pelo salário, fixo sem comissão, que não valeria a pena pra mim... Segundo pq era 1 folga por semana, e provavelmente não cairia em finais de semana.... E eu prezo acima de tudo, o meu casamento, meus filhos e a minha família, Sei que a moça que aceitou em meu lugar teve que abdicar a tudo isso também, mas são prioridades né? Cada um tem a sua.

Outro dia, ...Marck me encaminhou um email de um dos diretores da empresa, parabenizando ele por um projeto super importante que ele coordenou, eu respondi que ele merecia muito aquilo, ele respondeu :

Devo isso tudo a você , crescer lado a lado , sempre!

E quando me perguntam, se eu não tenho medo de ter deixado minha carreira de lado, pra poder ver ele crescer... Eu respondo:

Se eu tivesse exitado por um segundo, eu não estaria aqui... Relacionamento, não é competição, é focar um objetivo, e caminhar de mãos dadas numa estrada, pra que quando um se cansar, o outro empurrar, quando o um se machucar, o outro carrega no colo...


Sem falsa modéstia, tenho certeza de que sem mim, ele jamais teria chegado onde está, e onde ainda vai chegar, pq ele tb é muito novo e o mais importante , por isso ele me valoriza tanto...

Se eu sou independente? De jeito nenhum . ..

Quando a gente descobre amor, a gente não precisa mais de independência, Eu dependo dele, e ele de mim...


E as feministas que me perdoem!

Nenhum comentário: